Local: Acampamento em
Carvalhais, S. Pedro do Sul, em pleno
Andanças 2004.
Data e Hora: 3 de Agosto,
quatro da manhã.
Acordamos a meio da noite com uma discussão surreal entre dois dos gajos mais marados que
conhecemos durante o Andanças:
- Gonçalo, onde é que deixaste as tuas coisas, pá?
- Estão aí.
-
Aí onde?
-
Aí, pá!
- Aí
onde, Gonçalo?!
- Aí, pá!
- Gonçalo, tu 'tás
todo passado, pá! Onde é que deixaste as coisas?
- Epá, eu 'tou todo passado. Não sei onde deixei as coisas.
Na noite seguinte, à mesma hora:
- Epá, isto é
bom! Isto é peixe?
- Isso é atum, pá.
- Epá, isto é muita bom! É peixe?
- É
atum, pá. Epá, olha lá a
javardice que estás a fazer, Gonçalo!
- Epá, isto é muita bom!
- Olha lá essa merda, pá!
- Isto é muita bom!
- Olha o meu
Cartão Jovem, pá! 'Tá todo
gorduroso!
- Isto é muita bom!
- Olha-me p'a esta javardice! Dá-me um lenço de papel!
- Não tenho, pá.
-
Não tens?!
- Não. Mas isto está muita bom.
Infelizmente, estes nossos vizinhos de tenda não ficaram no Andanças muito tempo. Na noite seguinte foram substituídos por uns gajos muita chatos que, para além de não terem diálogos divertidos, falavam muito mais alto e durante muito mais tempo. Que grande
sarna!
Mas nem tudo foi mau. Graças ao Gonçalo e ao seu amigo (ou talvez
irmão, já que aqueles diálogos evidenciavam demasiada intimidade entre os interlocutores), a nossa
gang teve sempre bocas fixes com que se divertir durante
toda a semana do Andanças.
Por isso, de nós todos para ti, caro Gonçalo, o nosso
muito obrigado!
Rock on!